Dia internacional da Mulher: a publicidade representa nossa diversidade?

Graças à luta das mulheres que nos antecederam, no dia 08 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher.

É comum que as marcas utilizem a mídia e redes sociais para colocar mulheres em papel de destaque nesse dia. Isso porque a data alavanca as vendas e o comércio. Pesquisa realizada pelo Bridge Research mostra que os brasileiros pretendem gastar cerca de 271 reais nesta data.          

Segundo a historiadora Mary Del Priore, a imagem feminina foi explorada desde o primeiro anúncio da “Cerveja Cascatinha”, de 1900. A marca utilizava dez mulheres que indicavam as letras da palavra Cascatinha com o slogan, “A cerveja Nacional – a melhor cerveja”. Já o anúncio da Fidalga, cujo slogan “A Cerveja da Moda”, mostrava uma mulher vestida, roupas longas e recatada, apontava para o produto, associando a cerveja a um público mais seleto. Enquanto as embalagens de cigarros “Yolanda” de 1915, possuía uma imagem feminina em pose erótica, o seio à mostra e coberta apenas com um véu transparente.

Como as mulheres são representadas nas publicidades?

 Essas mulheres são representadas em um processo de ritualização. É comum propagandas que vão mostrando o corpo da mulher, um pedaço de cada vez.

  Às mulheres são delegados padrões de representação vinculados à sexualização do corpo e à conservação de uma “feminilidade” construída socialmente. Essa representação se utiliza do argumento de ser “natural” para justificar os papéis sociais secundários destinados a elas. 

 Diante do empoderamento da identidade feminina elevado por transformações culturais e sociais, os tradicionais regimes de representação da mulher passaram a ser contestados. Stuart Hall destaca o aumento da aceitação e celebração da diferença, ao que anteriormente se tentava fixar como significação negativa. Esta estratégia constrói uma identificação positiva do que antes era visto como algo ruim. 

   Atualmente, as empresas, antenadas nas demandas sociais, buscam diversificar a imagem padronizada utilizada durante décadas. 

Mas realmente existe uma representação da diversidade do nosso país nessas ações?

  Temos uma discussão avançada sobre espaço para as mulheres, mas raramente as empresas se atentam para as suas particularidades. 

Veja os dados: 

  • 74% das mulheres brasileiras que aparecem na publicidade são brancas, sendo que 54% da população é negra.;
  •  A população LGBT aparece em apenas 0,33% das campanhas.

Quando o debate vem à tona, algumas lideranças apostam parcialmente na questão racial com uma ou duas mulheres negras. No entanto, dificilmente é levada em conta as mulheres obesas, com deficiência e as LBTs (Lésbicas, Bissexuais e mulheres transsexuais) e a situação fica ainda mais complicada quando a questão é a representação indígena. Quando foi a última vez que você viu uma mulher indigena em algum cargo em empresas, ou até mesmo em publicidades?

Houve um avanço na luta pelos direitos das mulheres, mas há um caminho longo para que todas sejam representadas na publicidade e ocupem espaços de poder na sociedade. 

Nós, da Amplifica Digital, desejamos um feliz Dia das mulheres e, principalmente, que essa realidade se transforme rapidamente! 

Leia em nosso blog: 

Marketing Digital e mulheres, como funciona essa relação? 

Dia internacional da mulher, a representação feminina no marketing digital