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#Ep122 Comunicação executiva: quem não é ouvido é esquecido, com Letícia Pacheco

Se você tem conteúdo, bagagem e experiência, mas na hora de falar, parece que tudo some, este episódio foi feito para você.

Letícia Pacheco é fonoaudióloga de formação e há dez anos ajuda executivos e líderes a desenvolverem a própria voz. Não no sentido de aprender a falar melhor. No sentido de descobrir o que está travando uma comunicação que poderia ser muito mais poderosa do que é.

No EP122 do AmplificaCast, ela trouxe uma provocação simples: quem não é visto pode até ser lembrado. Mas quem não é ouvido, é esquecido.


Da periferia à Escola Paulista de Medicina

Letícia cresceu no Parque Marabá, na Zona Sul de São Paulo, mesma região onde Eric cresceu, no Campo Limpo. Primeira pessoa da família a entrar numa universidade pública, passou na Escola Paulista de Medicina em Fonoaudiologia na primeira chamada.

Mas o caminho até ali foi construído carregando uma dificuldade que ela mesma não sabia que tinha.

Desde pequena, era chamada de bicho do mato. Confundia as coisas, perdia informação no meio das frases, vivia no mundo da lua. Uma vez a tia pediu para comprar Carolina na padaria. Ela voltou com duas Ana Maria.

“Eu tinha muita dificuldade em me colocar e me posicionar. E nem eu, nem meus pais fazíamos a mínima ideia que aquilo era uma dificuldade.”

Só aos 17, 18 anos, já na universidade, descobriu o que tinha: transtorno do processamento auditivo central, uma condição pouco estudada no Brasil até o final dos anos 90, que afeta a forma como o cérebro interpreta os sons da fala, não a audição em si.

O diagnóstico virou o começo de tudo. A fonoaudiologia que ela foi estudar para entender a própria dificuldade se tornou a área onde construiu uma carreira inteira.


O erro que a maioria dos executivos comete

Letícia passa os dias conversando com CEOs, diretores e líderes que chegam até ela com uma queixa parecida: estudei comunicação, li livros, fiz cursos e cada vez fico mais travado.

A explicação é contraintuitiva.

“Comunicação é a única competência que quanto mais você estuda, pior você fica. Porque você fica com a mente cheia de regras na hora de falar.”

O problema quase nunca é falta de conteúdo. O executivo que sente que não tem o que dizer geralmente tem mais história e mais bagagem do que imagina. O que falta é organização, estrutura e a habilidade de transformar tudo isso em comunicação que influencia.

“Tudo que você ainda não alcançou na sua vida, com certeza tem algo de comunicação que você não desenvolveu para chegar lá.”


Voz de boazinha, voz de trator

Um dos trabalhos mais recorrentes de Letícia é ajudar executivos que estão sendo lidos de forma diferente do que pretendem.

Ela descreve dois extremos. O primeiro é o executivo que comunica bondade demais, voz baixa, tom ascendente, postura de quem está sempre pedindo licença. Esse perfil cresce dentro da empresa enquanto tem alguém protegendo. Mas no momento que precisa se posicionar sozinho, some.

O segundo extremo é o oposto: o executivo que acha que está sendo assertivo e está sendo lido como trator. Não percebe a incoerência entre o que fala e como fala.

“Não precisa ser nem bonzinho demais nem agressivo. É ser assertivo. E assertivo é quem consegue compreender o contexto, compreender a si mesmo e aos outros.”

O exercício que ela usa para treinar isso é ensinar executivos a ler o perfil de quem está na frente deles só pelo tom de voz. Quem fala em tom descendente, vogais curtas, direto ao ponto, é um perfil condutor, focado em resultado. Não adianta começar com histórias. Comece pela resposta. Quem fala de forma mais monótona e analítica quer dados, quer tempo, quer estrutura antes de tomar qualquer decisão.


Quem não é ouvido, é esquecido

Uma cliente de Letícia participava há meses do mesmo grupo de networking. Presença constante, alta, visível. Mas quando surgiam convites para painéis, para eventos, para falar sobre temas que eram exatamente a área dela, ninguém lembrava do nome dela.

“Ela estava sendo vista. Mas não estava sendo ouvida.”

O problema era a voz baixa, trêmula e a forma de se apresentar. Quando alguém perguntava o que ela fazia, ela dizia o nome e o nome da empresa onde trabalhava. Nada mais.

Letícia foi direta: você não pode ser o nome de uma empresa que você nem sabe quanto tempo vai ficar lá. Você precisa começar a vender o seu nome.

O pitch que Letícia treina com seus mentarados é construído em três partes: qual é o problema que você resolve, para quem e como você faz isso. Simples assim. Mas a maioria nunca parou para pensar nisso de forma clara.


Três exercícios para destravar 

Eric pediu dicas práticas para quem trava na hora de falar em público. Letícia foi objetiva.

O primeiro exercício é respiração. Quando a tensão sobe, a respiração sobe junto, vai para o ombro, tensiona a laringe, e a voz fica mais agressiva ou mais fina do que deveria. A solução é apoiar a mão na barriga e puxar o ar fazendo a barriga empurrar a mão para frente. Isso ativa o córtex pré-frontal, a parte racional do cérebro e reduz o domínio do sistema límbico, que é o emocional.

O segundo é o som Z. Solte o ar fazendo o som de uma abelha, o mais longo e constante possível. Para mulheres, o esperado são 15 segundos. Para homens, 25. Se o seu tempo estiver muito abaixo disso, é sinal de tensão vocal.

O terceiro é a laringe. Segure levemente a laringe com os dedos e tente mexê-la. Se ela estiver tensa, e às vezes dói, às vezes dá um estalo, solte antes de começar a falar. A laringe precisa estar solta no pescoço. Quando está, a voz sai diferente.

“Você consegue estar nervoso e mesmo assim não comunicar isso. Os exercícios permitem isso.”


Comunicação na era da IA: o que não vai ser substituído

Eric perguntou qual é o grande diferencial competitivo na era da inteligência artificial. A resposta de Letícia foi a mesma que ela deu numa palestra em Recife semanas antes:

A originalidade. A autenticidade. A capacidade de se conectar com pessoas de verdade.

“Cada vez mais, os CEOs que eu atendo chegam percebendo que podem melhorar a comunicação. E o que os fez chegar onde chegaram não foi só técnica. Foi a capacidade de se conectar com pessoas, de fazer boas perguntas, de tirar o melhor de quem está na frente deles.”

Isso, diz ela, é 100% humano. E quanto mais a IA avança, mais esse diferencial vai valer.


Como encontrar a Letícia Pacheco

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/leticia-pacheco-/
Instagram: https://www.instagram.com/leticiapachecovoz/

Nos perfis dela tem um quiz gratuito, sem precisar preencher dados, que já dá um mini diagnóstico do seu perfil de comunicação. É o primeiro passo para quem quer entender onde está o gap.


Ouça o episódio completo
🎧 Spotify: https://open.spotify.com/episode/2ds9Rd72xXtD3VJ7xY5j4C
📺 YouTube: https://youtu.be/x-gXMR-Sn7k?si=RXX98rsd2C0ubTgc


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