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#Ep123 Capital de giro: tudo sobre securitização de crédito, com Renato Lima

Se você é empresário e ainda acredita que o banco é a única alternativa para conseguir capital de giro, existem outros caminhos para estruturar crédito e financiar o crescimento da empresa. Neste episódio do AmplificaCast, Renato Lima explica como funciona a securitização e por que ela pode ampliar as opções de financiamento para empresas.

Renato Lima é CEO da Serra do Amolar, securitizadora focada em estruturação de crédito para o mercado de agronegócio e energia. Advogado de formação, passou pela advocacia tributária em grandes escritórios nacionais, empreendeu em pecuária e energia, foi secretário de desenvolvimento em Mato Grosso do Sul e dirigiu o Fundo Constitucional do Centro-Oeste na Sudeco em Brasília, carteira de 36 bilhões de reais, com oito bilhões emprestados por ano.

No EP123 do AmplificaCast, ele explica como funciona o mercado de crédito estruturado, quais alternativas existem para empresas que precisam de capital de giro, como CRA, CRI e debêntures entram nessa estrutura e em quais situações recorrer a crédito pode fazer sentido.


“As pessoas acham que a história começa quando a coisa dá certo”

Renato cresceu em Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Saiu da cidade com 17 anos, formou em Direito na Universidade Católica de Campo Grande com o plano de ser tributarista, a mãe era da Receita Federal, o caminho parecia natural.

Ficou quatro anos num grande escritório nacional, gerenciando duas unidades, rodando por direito tributário e empresarial. Mas desde cedo sabia que advocacia para ele era ferramenta, não destino.

“Eu nunca me encaixei naquela advocacia tradicional. O direito, para mim, sempre foi mecanismo. Eu tinha muito mais um viés de empreendedorismo.”

Quando teve liquidez, saiu. Entrou em pecuária, pela familiaridade regional, pela barreira de informação menor. E em energia, pelo acaso, por dois amigos portugueses que o chamaram para montar um negócio no Brasil.

“A imaturidade é maravilhosa. Você toma decisões que, com mais experiência, talvez não tomasse. E é nelas que você aprende.”


O outro lado do balcão

Depois de quatro ou cinco anos empreendendo, veio o convite para o setor público. Primeiro como secretário de desenvolvimento em Corumbá, depois como diretor de fundos da Sudeco, em Brasília, responsável por gerir o Fundo Constitucional do Centro-Oeste.

A decisão não foi por acidente. Renato queria entender crédito pelo lado de quem concede. Queria ver como o dinheiro público de desenvolvimento chega até o agronegócio e a infraestrutura. Queria sentar do outro lado da mesa.

“Eu queria entender as formas de financiamento, entender o crédito, porque a infraestrutura no Brasil sempre foi alavancada por ele. E eu queria entender como o concedente via toda essa situação.”

Foram anos em Brasília gerindo uma das maiores carteiras de crédito do país. Quando saiu, voltou a São Paulo. E criou a Serra do Amolar.


O buraco de mercado que os grandes bancos ignoravam

A grande percepção que Renato trouxe do setor público foi simples: existe um vazio enorme no mercado de crédito estruturado para empresas de médio porte.

Os grandes bancos de investimento trabalhavam com operações a partir de 100 milhões. Foram descendo 50, depois 30. Mas o empresário que precisa estruturar uma dívida entre 5 e 50 milhões continuava sem acesso a quem soubesse fazer isso direito.

“Esse gargalo do middle market de 5 a 50 milhões, foi o espaço que a gente assumiu.”

O trabalho da securitizadora é exatamente esse: estruturar a dívida, validar o lastro, emitir o título CRA para agronegócio, CRI para imóveis, debêntures para outros setores e colocar esse título no mercado para investidores.


Securitização como alternativa para capital de giro

Para empresas acostumadas a procurar capital de giro, empréstimos empresariais e linhas de crédito bancário, a securitização oferece uma estrutura diferente.

Uma empresa pode ter uma carteira de recebíveis, contratos de venda de energia, contratos agrícolas ou fluxos futuros de um empreendimento. Em vez de esperar esses valores entrarem ao longo dos meses ou anos, é possível estruturar uma operação para antecipar parte desses recursos.

Nesse processo, são emitidos títulos lastreados nos recebíveis ou ativos da operação. Dependendo da estrutura, podem ser utilizados instrumentos como CRA, CRI ou debêntures.

Para a empresa, isso cria uma alternativa de financiamento e capital de giro fora do crédito bancário. Para o investidor, cria uma oportunidade de investimento associada aos ativos que sustentam a emissão.


Tokenização: o título que cabe no celular

O mercado está mudando a forma de distribuir esses títulos. Antes tudo era físico, ação em papel, contrato impresso. Hoje a digitalização chegou ao crédito estruturado, e a próxima fronteira é a tokenização via blockchain.

A Serra do Amolar está desenvolvendo um ambiente de tokenização para distribuição dos próprios títulos. O que muda na prática: em vez de o título ser acessível só para grandes investidores institucionais, ele pode ser fracionado e vendido a partir de 500 ou 1.000 reais para qualquer pessoa.

“Você pode entrar no site, comprar um título, ser rentabilizado em cima dele. O instrumento pode ser um CRA, um CRI, uma debênture. A tecnologia muda o caminho, não o título.”


Capital de giro com juros altos: quando o crédito faz sentido?

Eric perguntou o que Renato recomenda para o empresário que precisa de capital de giro ou financiamento em um cenário de juros elevados.

A resposta foi direta:

“Crédito caro para resolver problema de caixa é suicídio. Use crédito como alavanca de crescimento para gerar nova receita, novo fluxo de caixa. Não para apagar incêndio.”

A lógica defendida por Renato é separar duas situações. Uma empresa pode buscar crédito para cobrir um desequilíbrio recorrente de caixa ou pode usar o recurso para financiar um projeto capaz de gerar receita adicional.

Para ele, o segundo cenário tende a fazer mais sentido. Antes de contratar uma operação de capital de giro, o empresário precisa entender o custo da dívida, o fluxo de pagamento e principalmente de onde virá a receita necessária para remunerar esse capital.


Como manter a cabeça no lugar

Eric perguntou como Renato se cuida no meio da pressão do dia a dia do empreendedor. A resposta foi sem rodeios: academia quase todo dia, exercício espiritual diário e missa nos finais de semana.

“A gente nunca está completamente são, né? Mas é isso que a gente procura para manter a sanidade.”


Como encontrar o Renato Lima

LinkedIn:https://www.linkedin.com/in/renatolima-co/
Serra do Amolar:https://serradoamolar.co/


Ouça o episódio completo
🎧 Spotify:https://open.spotify.com/episode/2hU6vQqO0fBgnphfsn7N6B
📺 YouTube:https://youtu.be/-L564YppUmg


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