No episódio 115 do AmplificaCast, Eric Klein recebe Grazi Sbardelotto, VP e Sócia da PM Web, para uma conversa que vai direto ao ponto sobre o que separa uma empresa que tem dados de uma empresa que sabe usar dados para entender e acompanhar a jornada do cliente de verdade. Desde os primeiros minutos, fica claro que o assunto não é plataforma, não é ferramenta, não é tecnologia. É sobre como uma empresa decide se relacionar com quem compra dela, e o que está em jogo nessa escolha ao longo de cada etapa da jornada do cliente.
Grazi tem uma trajetória que começou antes de o tema virar moda. Aos 19 anos, estruturou um departamento de CRM em uma concessionária Fiat da família, numa época em que o assunto mal existia nos currículos das faculdades. Não havia professor para orientar, não havia referência clara de mercado. Havia um problema real: clientes que iam à concessionária, eram bem ou mal atendidos, compravam ou não compravam, e sumiam. Ninguém sabia o que acontecia depois. Ninguém acompanhava a jornada do cliente depois da primeira interação.
O que Grazi criou na época, com o que ela mesma chama de “departamento de perseguição de clientes”, era exatamente isso: um processo para entender o que acontecia depois que o cliente saía da loja, se tinha ficado com alguma dúvida, se queria voltar a falar com o mesmo vendedor, se estava pronto para comprar. Simples. Mas o suficiente para trazer mais vendas.
A jornada do cliente começa antes da plataforma
Só depois que essas perguntas têm resposta é que a escolha da ferramenta ganha sentido. A PM Web optou por ser agnóstica de plataforma exatamente por isso. A empresa trabalha com Salesforce, Oracle, SAP, Insider, Braze, Zoho e outras, dependendo do que o cliente já tem e do que faz sentido para o objetivo de negócio. Muitas vezes, especialmente em multinacionais, a decisão sobre qual plataforma usar foi tomada fora do Brasil. Não cabe à PM Web questionar essa escolha. Cabe extrair o máximo dela. E esse posicionamento só é possível porque o foco está na jornada do cliente, não na ferramenta.
Ter dado não é o mesmo que entender a jornada do cliente
Quando a empresa enxerga o cliente como alguém que precisa comprar a qualquer custo, ela usa os dados de forma reativa, empurrando oferta no momento errado. Quando ela entende que aquele mesmo cliente pode comprar muitas outras vezes, a lógica muda completamente. A jornada do cliente passa a ser lida com profundidade. O dado não serve só para converter. Serve para antecipar, para criar relevância, para construir uma relação que vai além da transação.
O exemplo das farmácias ilustra isso com precisão. Quando a onda das canetas emagrecedoras ganhou força no mercado, a equipe percebeu que quem comprava o produto tendia a comprar mais vitaminas na sequência. Esse insight não apareceu por acaso. Ele surgiu da leitura do comportamento do cliente ao longo do tempo, da jornada do cliente dentro da farmácia. E esse comportamento se transformou em campanha relevante, e não em promoção genérica disparada para toda a base.
Ciclo de vida e jornada do cliente como base da segmentação
Uma gestante entra numa jornada específica. Um cliente que começa a usar medicamento de uso contínuo entra em outra. Um cliente que comprou a caneta emagrecedora está em outra. Cada uma dessas situações representa um momento diferente da jornada do cliente e exige comunicação diferente, oferta diferente, timing diferente. CRM que não respeita esse ritmo tende a ser intrusivo, genérico e pouco eficaz.
Esse mesmo raciocínio se aplica ao setor automotivo, ao varejo de moda, a empresas B2B com ciclos de compra mais longos. A lógica é a mesma: usar o comportamento para mapear em que ponto da jornada do cliente cada pessoa está e construir comunicação que faça sentido naquele momento específico.
Stack composto e a gestão da jornada do cliente em múltiplos canais
Essa fragmentação cria um desafio real. Não é só técnico. É estratégico. Quando o dado está em um lugar, a ativação em outro e o atendimento em outro, é muito fácil a jornada do cliente ter buracos. A comunicação perde coerência. O cliente recebe mensagens que não fazem sentido com o que já viveu. E a experiência se deteriora exatamente onde deveria se fortalecer.
A postura agnóstica da PM Web resolve parte desse problema. Quem não está comprometido com uma plataforma específica consegue olhar para o stack do cliente sem viés e identificar onde estão os gaps que estão comprometendo a continuidade da jornada do cliente.
IA aplicada à jornada do cliente: o que já funciona
Um dos casos que ela menciona envolve um cliente que opera praticamente todo o fluxo de CRM via prompts, sem escrever uma linha de código. Outro exemplo é o uso de agentes de social listening dentro do WPP Open, que coletam o que os consumidores de uma marca estão dizendo nas redes sociais e traduzem esse dado em insumo para campanhas de CRM. Resultado: ganho de 30 a 40% de agilidade nos processos, com potencial de chegar a 60 a 70%.
Mas o ponto mais honesto do episódio sobre IA está no alerta sobre custo de token. Quanto mais agentes rodando simultaneamente, mais processamento sendo consumido, e o valor sobe de forma significativa. Em um experimento interno, a equipe viu o custo disparar ao colocar múltiplos agentes trabalhando de forma paralela. Isso muda a equação da jornada do cliente automatizada. Não basta saber quais agentes acionar. É preciso saber quando e com qual intensidade, porque cada interação tem um custo real.
O profissional que vai continuar relevante na gestão da jornada do cliente
Ela também faz um alerta sobre o risco de delegar demais para a máquina: “Se a gente partir sempre do pressuposto do vou usar a IA, vou responder com a IA, não vou pensar em cima disso, esquece. Todo mundo vai emburrecer.” Essa fala resume o que muitos profissionais que trabalham com jornada do cliente precisam ouvir. A curadoria humana continua sendo essencial. A IA acelera. O pensamento crítico ancora.
Gestão de clientes como extensão da jornada do cliente
Essa afirmação é um dos pontos mais ricos do episódio. Porque ela mostra que, por mais tecnologia que exista disponível, a leitura do momento humano dentro da jornada do cliente ainda depende de percepção, contexto e atenção. CRM não resolve isso sozinho. É o processo por trás da ferramenta que garante que o sinal seja captado antes de virar problema.
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