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Tributário na prática: como pagar menos imposto, com Renato Bonetti

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Se você é empresário e sente que paga impostos demais ou simplesmente nunca parou para revisar se está pagando o valor certo. Este episódio foi feito para você.

No episódio 117 do AmplificaCast, Eric Klein recebe Renato Bonetti, especialista tributário com mais de 20 anos de experiência. Renato passou pela Lacta, Danone e Submarino antes de fundar sua própria consultoria, a Bonetti & Associados. Hoje, seu trabalho é um só: olhar os últimos cinco anos da operação de uma empresa e identificar o que foi pago a mais, o que pode ser recuperado e como organizar o patrimônio para o futuro.

O episódio vai direto ao ponto: oportunidades reais de recuperação de créditos, parcelamento de impostos atrasados, holding familiar e uma legislação específica para empresas do setor de eventos que muitos empresários desconhecem.

De Campo Limpo à Avenida Paulista

Renato cresceu na periferia de São Paulo, na região do Campo Limpo. O pai era operário. Muitos amigos de infância não chegaram até aqui.

O primeiro emprego foi numa imobiliária, sem nenhuma experiência anterior. Na entrevista, pediu dois salários mínimos. A dona achou absurdo que ele nunca tinha trabalhado nem para o mercado. Mas ele foi firme: “Tenho certeza de que você vai gostar do trabalho e que vai valer a pena você pagar isso.” Ela contratou. Três meses depois, foi promovido.

Para pagar a faculdade de Ciências Contábeis, assinava promissórias a cada semestre. Ganhava R$ 300, pagava R$ 280 de mensalidade. Ficou pagando a dívida da faculdade por dois anos após se formar.

Depois disso, vieram a Lacta, Danone e Submarino, sempre nas áreas fiscal, financeira e tributária. Em 2001, foi para uma consultoria tributária como funcionário. Foram cinco anos entendendo como funciona o mercado por dentro. Em 2006, saiu para empreender.

Como Renato Bonetti começou a empreender do zero

A decisão de abrir a própria empresa não foi planejada. Renato foi mandado embora.

Filha Isabela tinha um mês. A esposa, advogada, estava desempregada. Sem capital de giro, sem CNPJ aberto, sem sede. O laptop que usou para montar a empresa foi comprado no cartão de crédito emprestado da esposa de um amigo, parcelado em 12 vezes.

“Tinha 99% de errado, porque eu não tinha capital de giro, eu não tinha sede. Era eu e minha esposa.”

Renato buscou um parceiro comercial, fechou as primeiras empresas ainda no mês seguinte ao desligamento e, em agosto, já tinha três clientes. No primeiro mês completo, faturou R$ 40.000. Em janeiro do ano seguinte, alugou uma sala na Avenida Paulista, foi na TokStok, comprou os móveis que sempre quis e montou o escritório com divisórias de vidro.

Essas três primeiras empresas são clientes até hoje.

Como funciona uma consultoria tributária na prática

A pergunta que abre quase toda conversa com um empresário é: você sabe se está pagando o imposto certo?

A maioria acha que sim. Na prática, não é bem assim.

“Hoje são 40, 50 normas tributárias alteradas por dia. É impossível que a equipe interna acompanhe tudo isso enquanto resolve o operacional.”

O trabalho da Bonetti & Associados começa com acesso digital às obrigações acessórias via procuração eletrônica. Com ferramentas de inteligência artificial e sistemas especializados, o levantamento é feito em uma semana. Em até 15 dias, o empresário já tem um relatório de diagnóstico.

O relatório mapeia oportunidades em PIS, Cofins, IRPJ, CSLL, INSS e ICMS dos últimos cinco anos. O diagnóstico é gratuito. O trabalho só é remunerado no êxito quando o empresário usa efetivamente o crédito recuperado.

Recuperação de créditos no Lucro Real e no Lucro Presumido

Para empresas no Lucro Real e Lucro Presumido, o processo começa pela revisão das bases de cálculo dos últimos cinco anos. O crédito identificado pode ser usado de duas formas:

Compensação de tributos mensais: o empresário usa o crédito para abater os impostos do mês, liberando caixa imediatamente. Ou parcelamento de dívidas existentes, a recuperação gera recursos que ajudam a equacionar passivos com a Receita Federal.

Em alguns casos, vale também revisar o regime tributário. Um empresário no Lucro Presumido pode estar pagando mais do que pagaria no Lucro Real, dependendo do perfil da operação.

Como regularizar impostos atrasados e reduzir o passivo tributário

Renato foi direto: não entre em pânico.

Há diversas modalidades de parcelamento disponíveis. Uma delas é a Transação Individual, onde a empresa vai até a Procuradoria e propõe as condições de pagamento dentro dos parâmetros legais. Em alguns casos, é possível usar prejuízo fiscal para abater parte do valor devido, reduzindo multa e juros.

Para empresas em recuperação judicial, existem linhas específicas com condições mais favoráveis.

“O empresário não se desespere. Tem luz no final do túnel. O nosso papel é olhar em que pé está essa situação e ajudá-lo no parcelamento em várias formas.”

Execuções fiscais não resolvidas estrangulam o caixa e geram mais demandas jurídicas ao longo do tempo. Quanto antes o empresário olhar para isso, mais opções ele tem.

Perse: como empresas do setor de eventos podem recuperar tributos

Existe uma legislação chamada Perse: Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos, criada para empresas que sofreram impacto durante a pandemia.

O benefício se divide em três fases: de 2022 a 2023, de 2023 a 2024 e de 2024 a 2025. Empresas que atuavam direta ou indiretamente no setor de eventos, hotéis, restaurantes, bares, distribuidoras de alimentos, parques de diversões, empresas de vigilância em eventos, entre outros, podem ter direito à isenção de IRPJ e CSLL nesses períodos.

Duas condições: a empresa precisa ter sido constituída até 18 de março de 2022 e não pode estar no Simples Nacional.

O prazo prescricional ainda está aberto. O diagnóstico é gratuito e o trabalho é realizado por êxito.

Holding familiar e planejamento sucessório para empresários

Além do tributário, Renato abordou um tema que a maioria dos empresários evita: o que acontece com o patrimônio quando o fundador não está mais presente.

Sem planejamento, até 40% do patrimônio pode ser consumido em inventário, honorários e custos do processo. Imóveis precisam ser vendidos com desconto para gerar caixa. Empresas ficam paralisadas.

A holding familiar resolve isso. Com ela, é possível integralizar imóveis e participações societárias na pessoa jurídica, reduzir a tributação sobre renda de aluguéis de 27,5% na pessoa física para 12 a 13% na PJ, organizar a divisão do patrimônio entre herdeiros em vida e transferir cotas progressivamente, minimizando o ITCMD.

“Se amanhã não tiver a figura patriarcal, toda a estrutura está feita. E muitas vezes a gente consegue até pagar o causa mortis em vida, fazendo cotas pequenas até R$ 100.000 por ano, sem incidência de imposto.”

Planejamento sucessório não é para quem está pensando em morrer. É para quem quer que, quando isso acontecer, a família não precise se preocupar.

Ouça o episódio completo

O episódio 117 do AmplificaCast está disponível em todos os canais:

Sobre o convidado

Renato Bonetti: especialista tributário. Fundador da Bonetti & Associados. Mais de 20 anos de experiência em recuperação de créditos, planejamento tributário e proteção patrimonial.

 

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