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#Ep119 Como construir uma carreira executiva de longo prazo, com Luiz Felipe Bay

Se você está construindo uma carreira executiva ou quer entender como alguém que começou do zero chegou ao topo de uma empresa bilionária, este episódio foi feito para você.

Luiz Felipe Bay tem 35 anos de carreira e mais de 25 deles no setor de saúde. Foi CEO da 4BIO Medicamentos, empresa que pertenceu à RD Saúde e teve sua venda concluída em 2026, num processo que ele conduziu pessoalmente.

No EP119 do AmplificaCast, ele contou a história completa: da auditoria aos 21 anos até a cadeira de CEO, passando por decisões erradas, aprendizados duros e o que ele chama de “resiliência amorosa”. Uma conversa sobre gestão de carreira, escolhas difíceis e o que realmente leva alguém ao topo no mercado de saúde.


Os primeiros passos de uma carreira executiva

Luiz Felipe nasceu em São Paulo e entrou na PUC para estudar economia em 1991. Quase no mesmo período começou a trabalhar, primeiro como assistente financeiro numa construtora, depois numa distribuidora de petróleo.

A virada veio quando passou em duas das Big Five da época. Entrou na Arthur Andersen e ficou três anos. A auditoria foi escola: metodologia, leitura de empresa, entendimento de como as organizações funcionam por dentro. Mas ele logo percebeu que não queria trabalhar com o passado, queria trabalhar com pessoas e com o presente.

Uma amiga que trabalhava no Walmart recém-chegado ao Brasil indicou um programa para jovens executivos da América Latina. Luiz Felipe se inscreveu na área de logística, passou e o programa foi cancelado antes de começar, porque o primeiro ano de operação da empresa no Brasil foi um desastre financeiro.

Como compensação, o grupo pôde escolher a área onde ficar no Brasil. Ele não foi para a logística. Foi para o comercial.


O erro de carreira que mudou sua forma de tomar decisões

Com 25, 26 anos, já como coordenador no Walmart, Luiz Felipe recebeu uma proposta para ser o principal gerente comercial da divisão de celulares do Mappin Telecom. Era 1998, 1999, época de privatização da telefonia. As filas para comprar celular tomavam o shopping. Parecia oportunidade perfeita.

Foi uma das piores decisões que tomou.

“Eu olhei os números da Mappin Telecom e esqueci de olhar os números da Mappin Lojas, que estava numa condição super estrangulada.”

Seis meses depois que entrou, a empresa começou a entrar em default. O chefe que o contratou foi direto: ou saía agora com indenização, ou ficava até o final ajudando a fechar tudo.

Luiz Felipe ficou. Ajudou a demitir a equipe, encerrou operações, saiu pela porta honrada. E no dia seguinte estava empregado no Pão de Açúcar, chamado pelo mesmo diretor do Walmart com quem havia trabalhado, que estava abrindo a divisão de celulares e entretenimento da rede.

O aprendizado ficou: proposta sedutora não substitui análise cuidadosa. E sair com integridade de um lugar difícil abre portas que você não vê na hora.


Resiliência e liderança na carreira executiva

Depois de tanto tempo olhando para o que faz profissionais decolarem, e também para o que os derruba, Luiz Felipe tem dois critérios inegociáveis para quem trabalha com ele.

O primeiro é coerência. “Profissional outstanding tecnicamente, mas que não gosta do trabalho e nem da empresa onde está? É suicídio de carreira.”

O segundo é o que ele chama de resiliência amorosa. Não basta sobreviver às situações difíceis. O risco de focar só na resistência no modo guerreiro, é sair do outro lado endurecido e com sequelas.

“As vezes em que mais deslizei na minha carreira foram quando não prestei atenção na forma como lidei com os problemas. Não basta só sobreviver. Você tem que ter algo a mais no coração.”

A referência que ele usa é o filme A Vida é Bela: duas pessoas na mesma cela, uma olha as estrelas, a outra olha a lama. O que diferencia não é a situação, é a forma de enxergá-la.


Como o propósito influenciou sua permanência no setor de saúde

Depois do Pão de Açúcar, veio uma proposta da Raia, farmácia em plena transformação, liderada pela terceira geração da família. Foi ali que Luiz Felipe encontrou o que chama de propósito.

“A Raia tinha uma crença muito clara: a venda é consequência da relação. Você não está preocupado essencialmente em vender, está preocupado em se relacionar e atender bem.”

Quando ele entendeu isso, se reconheceu. E foi fácil explicar por que ficou 25 anos na empresa que se tornaria RD Saúde: o propósito estava alinhado com quem ele era.

Ao longo desses 25 anos, Luiz Felipe viveu fases completamente diferentes dentro da RD Saúde. Participou da expansão, liderou projetos estratégicos e cresceu até a oportunidade de assumir a CEO da 4Bio quando a integralização foi completada em 2023.


Como se preparar para assumir uma posição de CEO

A 4BIO foi adquirida pela RD Saúde em 2015. O contrato já previa a integralização oito anos depois. Quando chegou a hora, havia uma sucessão para conduzir, e mais de um nome na mesa.

Luiz Felipe tinha o momento certo: a Universal Farma estava madura, o ciclo como executivo daquele negócio havia se completado, e a oportunidade com a 4Bio batia na porta.

“Para minha felicidade, o meu nome foi o escolhido.”

Antes de assumir, houve cinco meses de transição com André, o fundador. O principal aprendizado? Não quebrar abruptamente a cultura de uma empresa que deu certo. Quem compra quer transformar, mas transformar sem destruir o que foi plantado é o trabalho mais delicado da transição.

Outro ajuste que pegou no início: passar de executivo de área para CEO de empresa é uma mudança de pressão, escopo e número de chefes.

“Como executivo, você sabia que tinha um chefe. Como CEO, ganhei cinco, seis chefes de uma vez, o conselho. Você aprende rápido a lidar com diferentes interesses simultaneamente.”


Inteligência emocional em processos de venda e transição

Depois de três anos como CEO da 4Bio, Luiz Felipe conduziu o processo de venda da empresa. Um ideal de nove meses que ele compara a uma gestação.

A conclusão estratégica que levou à venda foi honesta: as sinergias que pareciam óbvias entre a 4Bio e o modelo de varejo da RD Saúde eram menores do que o esperado. A operação de medicamentos especiais tem uma complexidade logística muito específica, margens diferentes e um modelo de atacarejo que não se encaixava nas estruturas de distribuição da rede.

“Foi um exercício estratégico dos mais honestos que vivenciei. A gente conversou abertamente com o conselho. Não houve nenhuma situação desconfortável. Foi natural.”

Durante os nove meses, enquanto a negociação corria em sigilo com um grupo pequeno de executivos, Luiz Felipe manteve o foco no presente: fazer o processo dar certo. Só na semana em que saiu da empresa começou a pensar com atenção no próximo passo.

“Eu não fiquei muito preocupado durante o processo com o que viria depois. Tenho 35 anos de carreira corporativa. Depois de tanto tempo, você sabe que outras portas vão se abrindo.”


O conselho final: viva o presente

Luiz Felipe encerrou o episódio com uma visão que acumulou ao longo de três décadas de desenvolvimento de carreira.

Não colocar todas as fichas em uma única opção. Saber que você consegue fazer várias coisas, não só a que sempre fez. Ter plano B e plano C desenhados, não por ansiedade, mas por clareza.


Como encontrar o Luiz Felipe Bay

LinkedIn:https://www.linkedin.com/in/luiz-felipe-bay/


Ouça e assista o episódio completo
🎧 Spotify:https://open.spotify.com/episode/2Cnj5xPLP3Vtow6d8yUdK4
📺 YouTube:https://youtu.be/gUSMaPeDOTk


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